Desde que me conheço por gente, ouço sempre os mesmos provérbio. Com alguns até concordo, mas com outros, sem chances.
Um dos que me irrita profundamente é aquele “Filho de peixe, peixinho é”. Fico me perguntando quem terá inventado esta asneira. Se isto realmente for regra, sou, com certeza, uma exceção.
Minha mãe é magra, esguia e bem arrumada. Dona de cabelos negros, lisos e belos, possuidora de um sorriso encantador. Atua na profissão que sempre sonhou e é muito bem remunerada. É sociável e possui um vasto grupo de amizades. Está sempre maquiada, com cabelos arrumados e com um sorriso estampado em seu rosto.
Agora, você deve estar pensando que sou, no mínimo, parecida com ela. Pois bem, está enganado.
Sou baixinha, estou acima do meu peso e uso camisetas de bandas antigas. Meus cabelos são crespos, volumosos e possuem uma cor indecifrável. Uso aparelho dentário, pois não tive a sorte de nascer com a dentição bela como a da minha mãe. Não tenho profissão definida, por ora, escrevo para alguns jornais quase desconhecidos e com o salário que ganho, mal consigo comprar canetas. Sou antissocial e possuo uns dois ou três amigos. Não uso maquiagem, não consigo arrumar os cabelos e raramente alguém me vê sorrindo.
Depois deste relato, pergunto a você, será que filho de peixe, peixinho é?
(Andreza Garcia)
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